Por Danielle Adada
Falar da Dona Lúcia, ou da nossa querida Tia Lúcia, como tantos a conheciam, não é tarefa fácil. Talvez porque ela tenha sido dessas pessoas únicas, que deixam uma marca profunda por onde passam. Exigente, sim, mas também intensamente dedicada, amorosa e incansável no que fazia.
Nascida no interior de Cascavel, no Paraná, a filha “temporona” de Emílio e Catarina teve uma infância marcada por desafios. Perdeu os pais ainda muito jovem, contando com o apoio dos irmãos mais velhos para seguir adiante. Mas nada disso a impediu de trilhar o caminho do bem, como ela mesma gostava de dizer com orgulho. Mesmo diante das dificuldades, manteve-se firme em seus valores e na determinação em agir sempre com retidão. Ainda na juventude, em um baile, conheceu Darci. E ali começou uma história de amor que durou a vida toda. Foram os primeiros namorados um do outro e nunca mais se separaram. Somaram 43 anos juntos, durante os quais construíram uma família unida que muito trabalhou para a valorização da cultura ucraniana em Cascavel.
Lúcia sempre ensinou às filhas a amar a Ucrânia, sua cultura e suas tradições. Incentivou-as a ingressarem no grupo folclórico e a honrarem suas raízes com orgulho.
Dedicou grande parte da sua vida ao folclore ucraniano. Foi uma das forças silenciosas e fundamentais por trás do grupo Sonhachnek. Sem nunca ter subir ao palco, esteve sempre nos bastidores, fazendo com que tudo acontecesse. Era ela quem coordenava a cozinha nos jantares típicos, quem comandava com maestria a produção de milhares perohês, quem colocava todos para trabalhar com alegria e rigor. Responsável por anos pelos trajes e patrimônio do grupo, mantinha tudo na linha… Camisas impecavelmente brancas, lavadas à mão.
Do mesmo modo, nas festas da igreja da comunidade ucraniana de Cascavel, sua presença era constante, cuidando dos preparativos e espalhando seu talento culinário inconfundível, especialmente com sua famosa cuca de royal e seu pastel, que se tornaram famosos nas festas da paróquia e entre todos que provaram.
Por 25 anos, ela também foi a Tia Lúcia da cantina do Colégio Sagrada Família, conduzido pelas Irmãs Servas de Maria Imaculada. Ali, ela não só alimentava os alunos, mas cuidava de cada um com zelo de mãe e coração generoso. Tudo que fazia era com capricho, com amor. Era assim que ela se expressava, com gestos concretos, com dedicação.
Talvez a característica mais forte da Lúcia tenha sido sua disposição incansável para ajudar. Tinha o dom de acolher, de servir, de trabalhar pelo bem do próximo de forma genuína e admirável.
Que sua memória seja eterna. Que seu exemplo de trabalho, dedicação, fé e compromisso com a família, com a comunidade e com a cultura ucraniana siga nos inspirando.